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Polícia Civil deflagra operação contra esquema de corrupção e fraude em contratos em prefeitura de PE

Polícia Civil deflagra operação contra esquema de corrupção e fraude em contratos em prefeitura de PE

Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, na manhã da última quinta-feira (23), a Operação Morojó, que investiga um suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Buenos Aires, na Zona da Mata Norte do Estado. A apuração aponta indícios de fraude em contratos, servidores fantasmas e desvio de recursos públicos, inclusive em áreas sensíveis como saúde e educação.

Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de bloqueios judiciais de ativos financeiros. As ordens foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco e executadas em municípios da Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata e também em João Pessoa, na Paraíba.

A investigação teve início em fevereiro de 2025, a partir de um relatório do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), que identificou uma série de irregularidades na gestão municipal. Segundo a Polícia Civil, os indícios incluem acúmulo indevido de cargos, contratações direcionadas, uso de empresas de fachada e locações simuladas de imóveis e veículos.

De acordo com o delegado Paulo Vitor Rodrigues, responsável pelo caso, o esquema investigado foi estruturado em dois núcleos.

“Há um núcleo administrativo, composto por servidores e agentes políticos, e um núcleo empresarial, que envolve empresários beneficiados por contratos firmados com a gestão municipal”, afirmou.

Ainda segundo o delegado, as irregularidades teriam começado durante o período da pandemia da Covid-19 e se estendido para um mandato subsequente. A Polícia Civil também identificou movimentações financeiras consideradas atípicas, com características compatíveis com lavagem de dinheiro.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos veículos, cheques, documentos relacionados a processos licitatórios e contratos públicos, além de aparelhos celulares que devem auxiliar no aprofundamento das investigações.

“Nosso interesse agora é analisar todo esse material para robustecer a materialidade e identificar a autoria dos fatos. É possível que surjam novos envolvidos a partir do que foi coletado”, disse Rodrigues.

Apesar dos indícios, não houve, até o momento, pedidos de prisão. Segundo a polícia, a estratégia é consolidar as provas reunidas no inquérito antes de eventuais medidas mais rigorosas. O material apreendido será analisado e encaminhado ao Ministério Público, responsável por avaliar a apresentação de denúncia.

A operação mobilizou cerca de 120 policiais civis e contou com o apoio do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, da Polícia Civil da Paraíba e da Rede Nacional de Unidades Especializadas no Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renorcrim).

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