A secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, pronunciou-se pela primeira vez após a Polícia Civil concluir que o atentado a tiros relatado por ela em março teria sido simulado.
Em vídeo na noite de segunda-feira (18), a gestora rebateu o indiciamento por fraude processual, denunciação caluniosa e falsa comunicação de crime. Ela afirmou que o caso trata de uma briga política e que os opositores utilizam um “fantoche” para mobilizar as acusações.
Aline Melo classificou as conclusões do inquérito como desumanas, desonestas e cruéis.
“Não fujo do meu processo, nunca me escondi atrás do silêncio e, se eu me mantive calada até agora, foi porque o que estão fazendo comigo é desumano, é desonesto, é cruel; é ignorar o fato de que uma mulher está sofrendo. Temos provas suficientes para apontar muitos nomes, mas eu não acredito na política da especulação”, declarou a secretária.
A defesa da servidora argumentou que as denúncias tentam ofuscar as ações implementadas na pasta, como a criação do Centro Acolher e a ampliação do Centro de Referência Dinossobral, em Pontezinha. A gestora informou que o andamento do processo ficará sob a responsabilidade de seus advogados.
As Provas e as Contradições do Inquérito
A manifestação da secretária ocorreu horas após a delegada Myrthor Andrade detalhar o encerramento das investigações sobre o episódio do dia 26 de março, na rodovia PE-28. Na ocasião, Aline Melo e o motorista Ewerton Eduardo afirmaram que um motociclista efetuou disparos contra o veículo oficial em um ato de violência de gênero.
Segundo indicou o órgão de segurança, a Polícia Civil passou a suspeitar da versão após analisar câmeras de videomonitoramento do trajeto. As imagens registraram um encontro de 17 segundos entre o carro oficial e a motocicleta antes dos tiros. Os investigadores identificaram que o condutor da moto era o pai do motorista da secretaria.
A polícia aponta contradições nos depoimentos e indica que os servidores omitiram o encontro nas primeiras oitivas e, posteriormente, justificaram que a parada serviu para a entrega de uma caixa de canetas emagrecedoras.
O motorista preferiu permanecer em silêncio ao ser questionado sobre as imagens. O pai do condutor também acabou indiciado por tentativa de homicídio com dolo eventual, pois os laudos indicaram que os disparos geraram risco real aos ocupantes do veículo.





