Novo líder do Republicanos na Câmara Federal, o deputado pernambucano Augusto Coutinho crava que a sigla estará longe do palanque de Lula nacionalmente. Ressaltando que não fala em nome do partido, o parlamentar acredita que só existem dois caminhos: apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou liberar os diretórios estaduais.
“O nosso presidente Marcos Pereira é quem conduz o processo. Ele sempre ouve a bancada, ouve a todos nós. Acho que esse é um momento para que a gente prepare as nossas nominatas. A gente tem duas opções, no meu entender, e não falo isso em nome do partido porque não tenho autoridade para isso. Mas acho que a primeira opção é apoiar Flávio Bolsonaro e a segunda é ficar neutro”, revelou Coutinho, em entrevista ao podcast “Direto de Brasília”.
Mesmo com seu conterrâneo e correligionário Sílvio Costa Filho participando do governo como ministro de Portos e Aeroportos, o líder do Republicanos acredita que pesará mais o fato de a sigla ser de centro-direita. “O partido faz parte do governo Lula, mas é muito mais um convite pessoal do presidente, uma preferência pessoal. E vale ressaltar que a bancada corresponde. Nós temos uma fidelidade de 79% ao governo. Se você entra na questão ideológica, aí realmente a gente é um partido de centro-direita e vai ter dificuldade. Mas nas questões que são importantes para o Brasil, a gente vota, atua, a gente tem bom senso. A gente tem ajudado o governo”, colocou Coutinho. “Nós temos muitas diversidades no partido. Por exemplo, todo o Nordeste está com Lula e o Sul é de direita. Existem essas coisas, o sistema eleitoral é assim”, completou.
Sobre o governo Lula, Augusto Coutinho avalia que o petista está “errando muito”, o que vem prejudicando sua imagem nas últimas pesquisas de intenção de voto. “O presidente Lula está errando muito e isso tem feito com que esse momento eleitoral seja desfavorável para ele. A eleição vai ser muito disputada, muito acirrada, mas é uma percepção minha. Eu nunca fui adepto do PT, só votei no segundo turno da eleição passada no presidente Lula, porque era contra Bolsonaro e eu temia pela democracia, e estava certo. Mas não sou petista, sou um deputado de centro-direita e tenho sensibilidade social. A eleição vai ser duríssima”, ponderou.
O parlamentar ainda negou rumores de que o ministro Sílvio Costa Filho venha a disputar o Senado pela chapa da governadora Raquel Lyra (PSD). “Isso é especulação. A gente quer um assento na majoritária. Temos um alinhamento com o prefeito João Campos (PSB), que vai ser o nosso candidato a governador. Então especulação existe. Temos até a convenção para discutir. Estamos focados em montar nossa chapa proporcional, e a gente quer sim um espaço na majoritária”, declarou Coutinho.
Por fim, o deputado disse que duvida da tese de que o presidente Lula possa ter dois palanques em Pernambuco. Para ele, todas as circunstâncias políticas apontam que o petista apoiará a candidatura de João, mas não se negará a receber o voto de Raquel. “Não podemos esquecer que João Campos é presidente nacional do PSB, que tem três governadores, isso dá peso político. Não é que o presidente Lula não vai aceitar o apoio da governadora Raquel, é óbvio que ele vai aceitar. Mas o PSB tem um alinhamento com o PT em 17 estados. Ele vai criar um problema em Pernambuco para reverter no Brasil todo? E com um presidente nacional do partido, que é leal, que ele tem demonstrado carinho e amizade com ele? Eu não acredito nisso”, ponderou.
Outro ponto levantado por Coutinho é a filiação da governadora no PSD, que tem três pré-candidatos a presidente, e sua ligação com o PL, sigla de Flávio Bolsonaro, nome que tem encostado em Lula nas pesquisas. “Esse é outro problema, porque o próprio PL faz ou fazia parte do governo dela. O que a gente ouve à boca miúda é que o PL só vota nela se ela votar em Flávio Bolsonaro. Não acredito que haverá palanque duplo em Pernambuco. O palanque do presidente Lula é o de João. Agora, é óbvio que ele vai aceitar apoio de quem que seja, se por acaso vier. Não vejo uma reviravolta do PT se aliar ao PSD, que tem sido crítico, vai ter candidato próprio, inclusive. Como é que fica isso? É complicado. Você acha que o PT vai botar o PSB de fora dessa aliança e vai se aliar com uma governadora que está em um partido que tem outro candidato a presidente? Não consigo enxergar isso”, alfinetou.





