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Racha no bolsonarismo de Pernambuco vai parar na Justiça Eleitoral

Racha no bolsonarismo de Pernambuco vai parar na Justiça Eleitoral

A disputa interna no bolsonarismo pernambucano ganhou novos contornos e foi parar na Justiça Eleitoral. O partido Podemos acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) contra o deputado federal Coronel Meira (PL) após o parlamentar afirmar publicamente que o pré-candidato a deputado federal Gilson Machado, recém-filiado à sigla, teria “vendido” o apoio político ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por mais de R$ 10 milhões.

O conflito tem raiz no racha interno do PL em Pernambuco. A disputa entre Gilson Machado e a direção estadual do partido, capitaneada pelo ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira, aliado de Meira, tornou-se insustentável ao ponto de Gilson abandonar a legenda e migrar para o Podemos, partido pelo qual tentará uma vaga na Câmara dos Deputados em outubro.

Foi após a migração de partido que Coronel Meira gravou um áudio criticando a decisão do ex-correligionário. O conteúdo foi publicado em cinco perfis de notícias independentes no Instagram, no dia 24 de fevereiro.

“Acho que ele [Gilson Machado] tomou uma medida totalmente errada e chego até a dizer o seguinte: Judas vendeu Cristo por 30 moedas de ouro e hoje, na verdade, Gilson Machado vendeu Jair Messias Bolsonaro por mais de R$ 10 milhões”, disse o deputado na gravação.

Meira ainda afirmou que o Podemos é um partido de esquerda e previu que a legenda elegeria no máximo três deputados federais em outubro, mesmo com a capacidade de Gilson Machado de puxar votos.

O Podemos levou o caso ao TRE-PE sustentando que a conduta configuraria propaganda eleitoral antecipada negativa contra Gilson e disseminação de desinformação eleitoral.

O partido argumentou que as afirmações de Meira constituem fatos desprovidos de qualquer lastro probatório e que a estratégia de divulgação utilizou as técnicas de collab (publicações em conjunto) e clickbait (sensacionalismo visual) para amplificar o alcance do conteúdo e “dinamitar” o capital político de Gilson antes do período eleitoral permitido. Os perfis envolvidos somam mais de meio milhão de seguidores.


A decisão da Justiça

A desembargadora eleitoral Roberta Viana Jardim acatou o pedido do Podemos. Na decisão, publicada nesta terça-feira (10), a magistrada entendeu que a afirmação de Meira vai além da crítica político-partidária e projeta ao público a ideia de que Gilson Machado teria recebido vantagem econômica indevida em troca de posicionamento político, narrativa que, segundo ela, não veio acompanhada de nenhum elemento probatório mínimo.

Para a desembargadora, a imputação é “potencialmente lesiva à honra e à reputação” e pode induzir os eleitores à crença de que Gilson estaria envolvido em “prática ilícita ou moralmente reprovável”.

Ela também justifica que a propaganda eleitoral antecipada pode se configurar de forma negativa, quando a manifestação, entre outras coisas, “ultrapassa os limites da crítica política, ofendendo a honra ou a imagem de pré-candidato”.

O TRE-PE determinou que o Instagram retire as cinco publicações em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

A plataforma também foi intimada a fornecer, em cinco dias, os dados cadastrais e registros de conexão dos administradores dos perfis envolvidos, referentes ao período de 24 de fevereiro a 5 de março de 2026. Os representados foram citados para apresentar defesa no prazo de dois dias.

Até o momento da publicação desta matéria, os vídeos com o áudio de Meira permaneciam disponível nos cinco perfis originais.

A reportagem tentou contato com o deputado Coronel Meira e com a assessoria da Meta, empresa responsável pelo Instagram, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

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