A rejeição do relatório final da CPI do Crime Organizado foi seguida de uma forte reação do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que afirmou ter sofrido ameaças e disse que não irá recuar das acusações feitas no documento.
O parecer, que pedia o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet, foi derrotado por 6 votos a 4 após mudanças na composição da comissão.
Defesa do relatório
Após a votação, Alessandro Vieira afirmou que o episódio revela interferência institucional e reforçou que manterá sua posição. Segundo o senador, houve pressão de integrantes do Supremo contra o relatório e articulação política para barrar o texto.
“As pessoas que estão sentadas na Suprema Corte não são donas do País. Elas têm o direito de falar por último sobre o direito, sobre a lei. Mas já de há muito se habituaram a atravessar a rua, a interferir nesta Casa, a interferir na Casa vizinha, a fazer manifestações que são de cunho claramente político e também, infelizmente, mais recentemente, a usar da ameaça como expediente”, declarou.
O parlamentar afirmou ainda que não se deixará intimidar e defendeu a legitimidade do trabalho da CPI, que apontou crimes de responsabilidade relacionados ao chamado caso Master.
As críticas ao relatório foram imediatas. O ministro Gilmar Mendes afirmou que não há base legal para que a CPI peça indiciamento de ministros do STF e classificou o documento como uma “cortina de fumaça”.
Na abertura de sessão da Corte, Dias Toffoli declarou que relatórios como o produzido pela comissão poderiam levar à cassação de mandatos por abuso de poder.
Já o ministro Flávio Dino considerou um “imenso erro” tratar o Supremo como o principal problema do país e criticou a ausência de investigações diretas sobre o crime organizado.
Quem é Alessandro Vieira?
Delegado de polícia por 17 anos em Sergipe, Alessandro Vieira ganhou projeção nacional e comandou a Polícia Civil sergipana em 2016. Após deixar o cargo, elegeu-se senador em 2018 com a promessa de atuar contra a “blindagem” de autoridades investigadas.
No Senado, consolidou a imagem de parlamentar independente, evitando alinhamento automático a governos. Ao longo dos anos, adotou posições críticas tanto às gestões de Jair Bolsonaro (PL) quanto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), buscando manter como marca a defesa de fiscalização rigorosa do poder público e do Judiciário.
Vieira ganhou grande visibilidade durante a CPI da Covid-19, quando teve atuação ativa nas investigações e chegou a apresentar relatório próprio, o que lhe rendeu o apelido de “delegado da CPI”. Sua trajetória também inclui tentativa de candidatura presidencial e disputa pelo governo de Sergipe em 2022.
O senador também um um dos primeiros do cargo a se pronunciar sobre a PEC da Blindagem após a aprovação na Câmara dos Deputados. Vieira classificou a proposta como “um absurdo injustificável”.





