A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, pelo Senado Federal, nesta quarta-feira (29), também representa um revés político direto para o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e para seu presidente nacional, João Campos, que se envolveu pessoalmente na articulação em torno da indicação.
Líder nacional do PSB, João – que é ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco – participa ativamente das articulações nacionais da legenda. Nos últimos dias, ele atuou publicamente em defesa do nome de Messias para o Supremo Tribunal Federal.
Na terça-feira (28), véspera da votação, Campos publicou uma foto ao lado de Messias anunciando o apoio formal do partido à indicação. Na imagem, também aparecem o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco — este último, inclusive, chegou a ser cotado para a mesma vaga no Supremo, com apoio do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil).
O plenário do Senado, no entanto, rejeitou a indicação por 42 votos a 34, em votação secreta. Para ser aprovado, eram necessários ao menos 41 votos favoráveis. Com o resultado, Lula terá que indicar um novo nome para a Corte.
Em um vídeo registrado nas redes sociais, o ex-prefeito do Recife foi visto próximo a Jorge Messias. O encontro aconteceu momentos após a derrota histórica do advogado-geral da União.
A rejeição de Messias impõe uma derrota histórica ao governo federal. É a primeira vez desde 1894 que o Senado barra uma indicação presidencial ao Supremo, o que amplia o peso político do resultado.
A decisão ocorre horas após a aprovação do nome na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, reforçando o caráter inesperado do desfecho.
Disputa política
A derrota ocorre em meio a uma disputa silenciosa nos bastidores do Senado. O nome de Rodrigo Pacheco chegou a ser defendido por setores da Casa e contava com apoio de Davi Alcolumbre, além de outros parlamentares.
Nos corredores do Congresso, interlocutores apontam que Alcolumbre teria atuado para viabilizar votos contrários à indicação de Messias, contribuindo para a derrota no plenário. Do lado governista, há relatos de incômodo e acusações de “traição”, sob o argumento de que o tema já estaria previamente pactuado.
A movimentação evidencia que, apesar do apoio público de partidos aliados, como o PSB, a articulação política em torno do nome não se consolidou na etapa decisiva.
Saída pode estar dentro do próprio PSB
Com a rejeição, o processo de escolha para o STF é reiniciado. Caberá ao presidente da República apresentar um novo indicado, que passará novamente por sabatina e votação no Senado.
Nos bastidores, já existe a avaliação de que a solução para o impasse pode surgir dentro do próprio PSB, com o nome de Rodrigo Pacheco voltando a ser discutido.
Ex-presidente do Senado, Pacheco chegou a ser o favorito para a vaga na Corte por meses e tinha apoio da classe política, com forte trânsito na Casa, e agora volta a ser citado como alternativa com maior capacidade de construir consenso.
A eventual escolha de um nome com esse perfil é vista como caminho para evitar novo revés e recompor a articulação entre o Palácio do Planalto e o Congresso, em movimento que recoloca o PSB e João Campos, mesmo após a derrota, no centro de uma possível solução política para a vaga no Supremo.





